Brunno Elias

Atividade física, bem-estar e um pouco mais (ou não…)

Archive for the ‘Ciência’ Category

Posts sobre trabalhos científicos ou novidades da ciência para o mundo da atividade física.

Melhorando o pós-treino com suplementos

Posted by Brunno em 29 de Abril de 2010

Aproveitando o assunto do momento, com a discussão sobre a creatina em alta, vale também divulgar algumas recomendações sobre o que utilizar após o treino. Também aproveito aqui para elaborar um texto que sane as dúvidas das constantes perguntas que recebo, sobre “qual o produto/shake/raizada/vitamina/eoutrasopçõesmilagrosas devo utilizar?”.

Começando do começo (com redundância e tudo) é importante destacar que apenas treinos de alta intensidade e/ou importante desgaste físico podem colher os benefícios do uso de suplementos. Não adianta treinar “leve” ou fazer “hora” na academia, que o suplemento em nada colabora para sua performance ou recuperação, já que não é milagre. Talvez até traga o contrário, como aumento do consumo calórico resultando em mais gordura corporal acumulada. Com isso em mente, vamos aos detalhes técnicos.

Treino de alta intensidade é aquele feito a partir de 75 – 80% da frequência cardíaca de reserva (para componente cardiovascular); ou nos treinos de força realizados com repetições máximas (aqueles com falha na fase concêntrica até as 11 ou 12 repetições), caracterizando a hipertrofia ou força máxima. Alguns tipos de suplementos também atuam melhorando a recuperação após treinos com intenso desgaste físico, como endurance no ciclismo (na zona de 70% da frequência cardíaca de reserva, mas com duração de 3 – 4 horas, ou mesmo corridas de 12 – 15km). O shake sugerido deve ser consumido após a sessão de treino.

Pensando na recuperação após esforço físico, é interessante perguntar: o que desejo? Mais músculos, aceleração na recuperação, hidratação ou evitar queda do sistema imune (sim, isso acontece). O esforço intenso provoca queda na eficiência do sistema imune, o que facilita a instalação de alguma infecção que prejudicará sua recuperação ou mesmo seu rendimento. Com isso claro, vou direto ao padrão de suplemento para o pós-treino.

Vamos aos destaques!

Água: (facilita o metabolismo) hidratação. Todo seu organismo precisa de água para realizar o metabolismo, seja no exercício ou no repouso. Essa água pode ser a padrão, ou vir de um suco, vitamina ou mesmo refrigerante. O ideal é a água pura, que nos leva ao preparo do shake

Creatina: (facilita o metabolismo, acelera a recuperação, aumenta a oferta de fonte de energia imediata) obtida a partir da carne, oferece mais energia imediata para as contrações musculares. Mas não basta comer carne? Acontece que a quantidade disponível na porção de carne é muito pequena, e a recuperação de treinos pesados será mais eficiente com o uso do produto, que também promove por osmose a entrada de água nas células, acelerando a recuperação. Serve tanto para trabalhos de força como para modalidades de endurance, como mountain bike, rugby e futebol.

Glutamina: (facilita o metabolismo, acelera a recuperação) cuida do sistema imune. Assim como a cretina, leva mais água para dentro das células, só que sua ação mais importante é oferecer combustível para a ação das células do sistema imune. Com isso aquela gripe que pode te pegar após o treino fica mais longe, e sua resistência contra infecções aumenta.

Whey: (acelera a recuperação, aumenta a oferta de proteína para recuperação/síntese muscular) fonte de proteína para utilização rápida. Com o organismo debilitado após o treino, a oferta de proteína desse tipo promove recuperação mais eficiente, pela disponibilidade aumentada desse macronutriente.

Maltodextrina/dextrose: (acelera a recuperação) reposição imediata dos estoques de carboidrato/glicose, diminuindo a ação do metabolismo catabólico que pode destruir de forma importante a massa muscular para obtenção de energia. Também atua estimulando a liberação do hormônio insulina, que com sua ação anabólica, leva mais nutrientes para o interior das células e acelera de forma eficaz a recuperação no pós-treino.

Esse texto é apenas uma sugestão do que utilizar para promover a melhora de seu treino, lembrando que ele deve ser de alta intensidade, o que exclui aquela atividade física habitual. Lembre-se também de consumir o shake (tudo junto e misturado!) logo após o treino, no período de 10 a 30 minutos.

Existem outros nutrientes importantes, mas se você mantém uma alimentação balanceada e saudável, os obtêm nas refeições em quantidade suficientes. Em caso de dúvidas e para mais informações, consulte os profissionais nessa ordem: nutricionista do esporte, Educador Físico e médico.

Bom treino!

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Estudo conclui que exposição a fast-food deixa pessoas impacientes

Posted by Brunno em 1 de Abril de 2010

Fonte: Portal da Educação Física.

Criadas para economizar tempo, as redes de fast-food – restaurantes que geralmente vendem o kit hambúrguer, refrigerante e batata frita – estão tornando as pessoas mais impacientes, mostra um estudo realizado pela Rotman School of Management, no Canadá.

Segundo os pesquisadores, a simples exposição a símbolos ligados ao fast food, como o logotipo de algumas lojas, pode fazer com que as pessoas passem a procurar produtos que as façam economizar tempo. A pesquisa também mostra que essas pessoas ficam com menos vontade de economizar dinheiro.

“Fast-food representa uma cultura de eficiência de tempo e gratificação instantânea”, diz o cientista says Chen-Bo Zhong, que publicou sua pesquisa na revista científica “Psychological Science”.

“O problema é que a meta de economizar tempo é ativada quando há exposição ao fast food, e isso acontece independentemente da importância de se economizar tempo. Um exemplo: andar rápido é importante quando alguém está tentando chegar a um compromisso, mas é um sinal de impaciência quando se vai fazer um passeio ao parque”, afirma.

Símbolos

Em um dos experimentos, os pesquisadores mostraram de forma rápida símbolos de lojas de fast-food. A exposição, de milissegundos, foi tão curta que as pessoas submetidas à pesquisa não puderam saber conscientemente do que se tratava.

Os estudiosos perceberam que quem viu os símbolos passou a fazer as tarefas seguintes de maneira mais apressada do que o grupo de controle – as pessoas que não foram expostas às marcas. Observar temas relacionados ao fast-food também fez com que as pessoas ficassem mais relutantes a economizar dinheiro.

Outra experiência mostrou que quem se lembrou de alguma ocasião em que comeu fast-food logo em seguida preferiu adquirir produtos que o fazia ganhar tempo, como xampus “dois em um”.

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Treino intervalado, uma boa opção

Posted by Brunno em 17 de Março de 2010

Recente reportagem publicada no Portal da Educação Física explica um estudo que apresentou as vantagens do treinamento intervalado de alta intensidade sobre o treino moderado, na relação entre benefícios e preguiça tempo disponível.

No estudo, os autores chegam a afirmar que 10 tiros de alta intensidade com pequena duração (1 minuto de esforço com o mesmo tempo de recuperação) tem efeitos equivalentes a 10 horas no mesmo exercício com intensidade moderada. A equivalência pode ser exagerada, mas o esclarecimento sobre esses benefícios é o importante.

Normalmente emprego treinos baseados em tiros, sejam na rua com corrida ou ciclismo, seja na esteira ou bicicleta ergométrica. O esforço com alta intensidade por curto período, seguido de recuperação ativa (baixa intensidade) estimula o fornecimento energético com rapidez, produzindo metabólitos (ex: ácido lático) e acelera o trabalho mitocondrial, já que na recuperação é necessário repor as fontes energéticas imediatas e também tentar retornar ao estado de equilíbrio orgânico. Isso acontece em uma série (esforço e recuperação), mas o treino é composto por várias séries, na dependência do objetivo do cliente e do treino.

Os objetivos incluem melhora no desempenho, maior resistência a acidose, melhora na produção energética, consumo calórico ou mesmo encurtamento do tempo de treino, para os mais ocupados. Recentemente verifiquei, após período com treinos intervalados, melhora no limiar anaeróbio de um cliente. Agora ele consegue correr em uma intensidade maior e com menor indução de acidose, melhorando o desempenho.

O treino intervalado também permite a sinergia com o treino de força. Normalmente aplico com a seguinte forma: aceleração, esforço, recuperação ativa e dois exercícios de força, no formato de um circuito. O treino termina caracterizado como de alta intensidade, mas sem cobrar muito tempo de treino do cliente (45 à 60 minutos).

Treino intervalado e em circuito, fica a dica para as próximas prescrições!

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Uso de protetor solar, parceiro da saúde diária

Posted by Brunno em 11 de Março de 2010

Uma excelente reportagem publicada no site GI Notícias informa que o brasileiro precisa gastar ao menos R$ 51,00 por mês para manter-se protegido do sol.

A matéria explica, com ajuda de dermatologistas, que o protetor deve ser usado diariamente, independente das atividades da pessoa. Ir ao trabalho já expõe ao menos o rosto ao sol, e a incidência crônica de raios solores pode levar ao desenvolvimento de problemas de saúde, como o câncer de pele.

Para quem pratica esportes sob o sol, o gasto investimento sobe, já que o suor exige reaplicação e a necessidade de proteção é maior. Deixe de associar o protetor à piscina e praia, e passe a usá-lo no dia-a-dia, como medida de segurança.

Mesmo trabalhando uma parte do dia em escritório faço o uso diariamente, e quando treino sob o sol infernal de Campo Grande, mais protetor é usado.

Leia a matéria na íntegra, com o título Proteger-se corretamento do sol custa pelo menos R$ 51 por mês.

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Comportamento do cortisol e testosterona no treinamento de força

Posted by Brunno em 6 de Dezembro de 2009

*Texto apresentado como avaliação na especialização em Wellnes: Saúde & Bem Estar.

O treinamento de força tem implicações importantes nos músculos, tecidos conjuntivos (ligamentos e tendões) e ossos, estruturas que normalmente são alvos dos objetivos dos treinos. Concomitante aos efeitos sobre esses sistemas, o treinamento de força também resulta em manifestações no sistema endócrino (FLECK; KRAEMER, 2006), entre outros. Dentre essas alterações, se destacam as mudanças referentes aos hormônios cortisol e testosterona, relacionados ao estresse de forma geral e processos anabólicos (POWERS; HOWLEY, 2000), respectivamente.

O cortisol atua na manutenção da glicemia por meio de processos catabólicos (gliconeogênese e liberação periférica de substratos), respondendo ao estresse de forma geral (FLECK; KRAEMER, 2006), com liberação pelas glândulas adrenais. Powers e Howley (2000) citam como estímulos os danos teciduais (fraturas e queimaduras) e o exercício físico. Dessa forma, o treinamento de força também influi na concentração desse hormônio. Intervalos curtos entre as séries (por volta de 1 minuto) provocam aumento no nível do cortisol mais significante que intervalos mais longos, como 3 minutos (FLECK; KRAEMER, 2006). Apesar desse comportamento da concentração hormonal, não é possível concluir que um tipo de treinamento de força afeta de forma determinante a concentração do cortisol (FLECK; KRAEMER, 2006). O treinamento crônico parece diminuir a sensibilidade a concentração do cortisol, enquanto os efeitos agudos se relacionam ao nível do estresse metabólico.

Abordando essa discussão, Uchida et al. (2004) encontraram diminuição na concentração de cortisol em repouso, após treinamento crônico em mulheres, e incremento no nível hormonal em situação pós-treino. Já em outro estudo desses mesmos autores (UCHIDA et al, 2006), agora com homens, houve aumento do cortisol de forma aguda e crônica. As respostas da liberação do cortisol ao trabalho de força parece respeitar a intensidade (volume e carga) de exercício, de acordo com a demanda por substratos energéticos, mais que algum modelo de treino.

Já sobre a testosterona Fleck e Kraemer (2006) acreditam que deve ser estudada por meio de sua porção livre, que é a que afeta os tecidos-alvos, apesar da ação significante do hormônio ligado sobre os músculos. A testosterona é relacionada as características sexuais masculinas, sendo liberada pelas glândulas sexuais. De forma aguda, a concentração de testosterona livre permanece inalterada ou diminui após uma sessão de treinamento de força. De forma crônica, em homens adultos, o treinamento de força provoca aumento da concentração de testosterona durante o repouso. Esse comportamento hormonal se relaciona a hipertrofia da musculatura esquelética.

Fleck e Kraemer (2006) apontam que a utilização da razão testosterona:cortisol (T:C) tem sido usada para medir a situação anabólica do organismo. Se existe diminuição da razão T:C, apresenta-se um indicador de estímulo muito estressante, com elevação no nível do cortisol. Lembrando da característica catabólica do cortisol, essa relação pode ser danosa para praticantes que objetivam a hipertrofia muscular. Uchida et al. (2006) demonstraram que o treino de força pelo método tri-set é mais estressante que o método de múltiplas séries por meio do controle da razão T:C.

REFERÊNCIAS
FLECK, Steven J.; KRAEMER, Willian J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

POWERS, Scott K.; HOWLEY, Edward T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. Manole: São Paulo, 2000.

UCHIDA, Marco Carlos et al. Alteração da relação testosterona:cortisol induzida pelo treinamento de força em mulheres. Rev Bras Med Esporte, Niterói, v. 10, n. 3, mai/jun/2004.

UCHIDA, Marco Carlos et al. Efeito de diferentes protocolos de treinamento de força sobre parâmetros morfofuncionais, hormonais e imunológicos. Rev Bras Med Esporte, Niterói, v. 12, n. 1, fev/2006.

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Creatina melhora potência anaeróbia em mountain bikers

Posted by Brunno em 18 de Novembro de 2009

Mais uma evidência para o uso de creatina como suplemento alimentar em ciclistas, mais especificamente mountain bikers. Guilherme Eckhardt Molina, Guilherme Fávero Rocco e Keila Elizabeth Fontana, da Universidade de Brasília, publicaram na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, o artigo Desempenho da Potência Anaeróbia em Atletas de Elite do Mountain Bike Submetidos à Suplementação Aguda com Creatina.

O trabalho teve como objetivo investigar os efeitos da suplementação aguda com creatina no desempenho da potência anaeróbia de atletas de elite do mountain bike.

A pesquisa contou com 20 atletas em período básico do macrociclo de treinamento, que foram distribuídos aleatoriamente (duplo-cego) em dois grupos: placebo (PLA, n = 10) e creatina (CRE, n = 10). Eles foram avaliados quanto à composição corporal (pesagem hidrostática) e potência anaeróbia (teste de Wingate – TW) antes (PRÉ) e depois (PÓS) de sete dias de suplementação.

A creatina ou maltodextrina (placebo) foi usada em três doses diárias de 0,3g/kg de massa corporal diluídos em meio líquido adoçado.
Não foram observadas diferenças significativas na composição corporal após sete dias de suplementação (PRÉ x PÓS).

A potência anaeróbia pico (PP) e o instante da potência pico (IPP) aumentaram e o índice de fadiga diminuiu do PRÉ para o PÓS-testes no grupo CRE, enquanto que o grupo PLA não apresentou diferenças significantes. A PP apresentou forte tendência em ser maior e o IPP foi maior no grupo CRE comparado com o PLA.

Conclui-se que existem evidências de que a suplementação com creatina (0,3g/kg) em curto prazo (sete dias) pode retardar o IPP (CRE 3,0 ± 0,5/3,6 ± 0,8 Δ%= 20%) no teste de Wingate em atletas de elite do mountain bike, sugerindo que a suplementação com creatina pode melhorar o desempenho físico quanto à potência anaeróbia durante o trabalho de alta intensidade e curta duração.

Já tivemos um post aqui no Brunno Elias sobre creatina.

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Defesa do mestrado em Saúde

Posted by Brunno em 22 de Setembro de 2009

Dia 02/10/09 é o grande dia! Desfecho do projeto desses últimos 18 meses.

Informações no site do programa do mestrado.

OgAAAN8eOhDkhG3OJNTEbPTF4LLpvrBGNGaNPplj4pao05BZtbgu3tRR3K3ztqX3zulxGKT_dUCvBg6Nr9tDS4Q5HOkAm1T1UI9gythomsQQ9MJUULSPPKsoyeyd

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Crioterapia e alterações fisiológicas

Posted by Brunno em 27 de Agosto de 2009

*Texto apresentado para avaliação na especialização em Wellnes: Saúde & bem-estar.

A crioterapia não tem seu surgimento bem definido, visto que o uso do gelo artificial só foi possível na metade do século XIX (VASCONCELLOS, 1998), enquanto o uso de alta temperatura (banhos quentes, saunas, compressas) já era bem difundido desde a Pré-história. Segundo a revisão realizada por Vasconcellos (1998), crioterapia é um “procedimento físico de se causar a baixa de temperatura de uma certa região corporal, com fins terapêuticos. Tem como sinônimo Termoterapia por subtração”.

Dentre as formas de aplicação identificadas pelo trabalho (VASCONCELLOS, 1998), estão:

– Cloreto de etila, etilmetano e neve carbônica (gelo seco): são substâncias voláteis ou gasosas que, ao evaporarem, roubam calor do ambiente próximo. São de uso restrito, efeito intenso, localizado, pouco duradouro e são relativamente dispendiosas. Têm maior aplicação em criocirurgia do que em crioterapia;

– Água fria: com temperatura abaixo de 18ºC, podendo mesmo ser próxima de zero grau ou abaixo de zero em soluções salinas crioscópicas. O fato de ser água corrente aumenta muito o efeito de diminuição da temperatura;

gel45– Ar frio: por intermédio de máquinas modernas, que direcionam uma corrente de ar frio, com umidade e temperatura variáveis, para dentro de um recipiente fechado onde caiba, por exemplo, um pé ou uma mão;

– Gelo: feito com água normal ou adicionada com álcool etílico (quatro partes para uma) para melhorar sua plasticidade. Pode ser usado sob várias formas (saco plástico, bolsa de borracha, toalha embebida, gelo moído ou “picolés”);

– Bolsas de gel: lacradas, reutilizáveis, com tamanhos e formas variadas;

– Reagentes químicos congelantes: componentes que, ao se misturarem, formam imediatamente um composto muito frio. Podem apresentar efeitos irritativos.

Vasconcellos (1998) cita que os efeitos terapêuticos da crioterapia estão condicionados a alguns fatores, como: duração da aplicação, área da superfície tratada, intensidade do frio, local do corpo e suas estruturas anatômicas, sensibilidade e resposta individual, e quadro a ser tratado. Todos esses condicionantes estão submetidos às respostas teciduais ao frio, principalmente do tecido nervoso, suas terminações, seus mediadores bioquímicos, seus envoltórios e suas especificidades de fibras. Com o propósito analgésico, usa-se o frio como contra-irritante, produzindo endorfinas e aumentando o limiar da dor. Abaixo de 10ºC, ocorre bloqueio total das transmissões dos impulsos nervosos. Até quarenta e oito horas após traumas leves ou moderados, o frio vai atuar tanto na diminuição da dor como prevenindo edema e sangramentos, por vasoconstrição reflexa simpática e liberação de histamina. Deve-se ter atenção para o período de vasodilatação pós-aplicação, que poderá aumentar o edema e sangramento. Aplicações rápidas, de menos de oito minutos, servem para estimular contrações em músculos comprometidos ou fracos. Aplicações acima de quinze minutos induzem ao relaxamento muscular. Quanto à amplitude de movimentos, o frio aumenta a rigidez articular.

Sobre a rigidez após a aplicação de crioterapia, Barbosa e Manfio (2007) avaliaram 29 sujeitos pré e pós uso de crioterapia por 20 minutos em protocolo de equilíbrio estático por 60 segundos em condição unipodal e bipodal. Os autores verificaram diferenças significativas entre as condições pré e pós com alteração do centro de pressão, somada ao aumento da rigidez articular, diminuição da sensibilidade de percepção de posição, alteração da força isométrica, flexibilidade e desempenho funcional. O trabalho alerta que a prática esportiva após administração da crioterapia pode aumentar a probabilidade de ocorrências de lesões músculo-esqueléticas.

Iserhard e Weissheimer (1993) ndicam a aplicação da crioterapia na fase aguda, pois seus efeitos (vasoconstriçäo, diminuiçäo do metabolismo, reduçäo do edema e da hipóxia) terão melhores resultados se quando administrados precocemente no traumatismo. Essa decisão evita que a lesão se complique e favorece a reabilitação.

Matheus et al. (2008) realizaram um ensaio com uso de ratos para verificar os efeitos da crioterapia após lesão muscular induzida. A lesão foi induzida por queda livre de carga no músculo gastrocnêmio dos ratos anestesiados. Houve grupo controle, grupo lesionado e grupo lesionado tratado com crioterapia. Após a morte dos animais, foi realizado ensaio mecânico de tração para verificação de carga no limite máximo antes da ruptura, alongamento máximo e rigidez. Os melhores resultados vieram do grupo controle. O grupo lesionado tratado com crioterapia teve respostas acima do grupo lesionado. O estudo indica que a crioterapia por imersão imediata após lesão promove melhora das propriedades mecânicas do músculo.

Em estudo realizado por Oliveira et al. (2007), similar ao anterior, foi verificada a diminuição da área de lesão muscular por meio de crioterapia intermitente e compressão em ratos. Foi induzida lesão muscular nos grupos que receberiam a crioterapia e compressão, somente a compressão e lesão – controle. O protocolo de crioterapia consistia em aplicação de 30 minutos associada à compressão, a cada 90 minutos. 24 horas após o tratamento os animais foram mortos e análise demonstrou diminuição significativa da área de lesão muscular nos animais submetidos à crioterapia e compressão quando comparados ao grupo que recebeu somente compressão e ao grupo sem tratamento.

Na revisão realizada por Sandoval et al. (2005) é possível perceber a necessidade de aplicação imediata da crioterapia para melhores efeitos, principalmente na presença de processo álgico e inflamatório. A crioterapia impõe analgesia por adaptação do receptor, efeito contra-irritante e efeito neurogênico. Quando se limita o grau de inflamação, inibem-se os efeitos dos componentes remanescentes. Quando se limitam os mediadores inflamatórios, reduz o grau de hemorragia e de edema. Quando se diminui a pressão mecânica sobre os nervos, reduz a dor. Conforme ocorre a diminuição do espasmo muscular e do edema existe menos congestão na área e a quantidade de morte celular por hipóxia é limitada. Foi possível verificar que a crioterapia tem seus benefícios alcançados durante a fase aguda, entre 24 e 72 horas. O tempo de aplicação varia de 15 a 30 min. Dependendo da situação e técnica utilizadas, devendo ocorrer um intervalo de 2 horas entre cada aplicação.

A análise dos trabalhos expostos permite identificar os efeitos positivos da crioterapia, apesar de lacunas experimentais e sua aplicação na rotina de atividades físicas. Percebe-se a urgência da administração do terapia nas lesões para prevenção da piora do quadro e melhor recuperação.

REFERÊNCIAS

BARBOSA DP; MANFIO Educação Física. Influência da crioterapia por imersão do tornozelo no equilíbrio estático. XII Congresso Brasileiro de Biomecânica, 2007.

ISERHARD AL; WEISSHEIMER KV. Crioterapia: por que sua aplicação na fase aguda. Fisioter. Mov., 6 (1), 1993, 92 – 9.

MATHEUS, JPC; MILANI JGPO; GOMIDE LB; VOLPON JB; SHIMANO AC. Análise biomecânica dos efeitos da crioterapia no tratamento da lesão muscular aguda. Rev. Bras. Med. Esprote, 14 (4), 2008, 372 – 5.

OLIVEIRA NML; SALVINI TF. O efeito da crioterapia e compressão interminente no músculo lesado de ratos: uma análise morfométrica. Rev. Bras. Fisioter., 11 (5), 2007, 403 – 9.

SANDOVAL RA; MAZZARI AS; OLIVEIRA GD. Crioterapia nas lesões ortopédicas: revisão. EF Deportes, 10 (8), 2005.

VASCONCELLOS LPWC. Noções de crioterapia. Revista Perspectivas Médicas, 9, 1998, 29 – 31.

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Leptina e grelina atuando na regulação da ingestão alimentar

Posted by Brunno em 31 de Julho de 2009

*Este texto foi apresentado como trabalho de avaliação na especialização Wellness: Saúde & Bem-estar.

Sendo um dos principais responsáveis pela homeostase corporal, o hipotálamo faz a ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas desse último sistema (NIEUWENHUYS et al., 2008). Entre as principais funções hipotalâmicas destacam-se:

– Manutenção do ritmo circadiano;

– Regulação do ciclo sono e desperto;

– Resposta ao estresse;

– Regulação da temperatura corporal;

– Fome e apetite;

– Sede;

– Comportamento sexual;

– Comportamento defensivo.

Na obra de Nieuwenhuys et al. (2008) é posto que o hipotálamo representa a maior parte ventral do diencéfalo (porção inferior do cérebro), no qual forma o piso e contribui para o desenvolvimento das paredes do terceiro ventrículo.
Das funções hipotalâmicas, o controle da fome é de grande valia devido à possível associação com o quadro da obesidade. É aceito que o hipotálamo tem importante papel na regulação da ingesta alimentar e no controle do peso corporal (NIEUWENHUYS et al., 2008), mas esse papel é influenciado pela presença da leptina, um hormônio derivado dos adipócitos que tem a concentração associada a massa de tecido adiposo.

A atuação da leptina sobre o cérebro pode ser resumida por meio da estimulação de alguns neuropeptídios. Os neurônios sensíveis à leptina formam duas populações: a primeira composta por neuropeptídios Y e AGRP; já a segunda por alfa-MSH. Esses três neuropeptídios participam da regulação da ingesta alimentar.

Despopoulos e Silbernagl (2003) afirmam que o hipotálamo é o centro responsável pelas respostas para manutenção do peso corporal. Entre as mensagens enviadas e recebidas estão:

– Tamanho dos depósitos de gordura: sendo a concentração de leptina o principal indicador dessa informação;

– Absorção de nutrientes e consumo de energia: por meio da concentração de leptina é feita a modulação dessas ações (reserva de gordura alta é demonstrada por alta concentração de leptina, que se responde com diminuição da ingesta e aumento do gasto energético; e vice-e-versa).

A ação da leptina sobre o hipotálamo é feita com a ligação do hormônio aos receptores de leptina (Ob-Rb). Essa ação é mediada principalmente por dois neurotransmissores já citados. O alfa-MSH é liberado pela estimulação provocada pela leptina e atua inibindo a absorção de nutrientes e aumentando o gasto energético. Já o neuropeptídio Y é inibido pela leptina, pois este provoca fome, aumentando a ingesta e diminuindo o gasto energético (DESPOPOULOS; SILBERNAGL, 2003; MOTA; ZANESCO, 2007). Despopoulos e Silbernagl (2003) ainda destacam que a deficiência de leptina provoca liberação exagerada do hormônio liberador gonadotrófico e pode chegar à obesidade infantil.

Sobre os efeitos da leptina no gasto energético, Kelesidis et al (2009) explicam que existe aumento das catecolaminas circulantes e maior termogênese nos tecidos, assim como estímulo à lipólise. Dessa forma a leptina impede a queda no gasto energético que normalmente acompanha a queda da ingesta alimentar. Em tecidos periféricos, a leptina também atua com aumento da captação de glicose, principalmente nos músculos e tecido adiposo marrom. Outras ações da leptina incluem regulação da função imunológica, hematopoiese, angiogênese e metabolismo ósseo.

Em resumo a leptina atua no núcleo arqueado no hipotálamo por meio da liberação de neuropeptídios relacionados ao apetite e à saciedade (anorexígenos), com sua alta concentração reduzindo a ingesta alimentar e sua baixa concentração resultando em hiperfagia (MOTA; ZANESCO, 2007).

Romero e Zanesco (2006) concordam que a leptina representa importante papel no controle do peso corporal, mas destacam a participação de outra substância, a grelina. Os autores informam que o primeiro hormônio reduz o apetite pela inibição do neuropeptídio Y e liberação do -MSH, apesar de sua concentração não ser totalmente controlada pela quantidade de massa de tecido adiposo, discordando de Nieuwenhuys et al. (2008). Já a grelina é um estimulador da liberação do hormônio do crescimento, com efeito no hipotálamo e nas células somatotróficas da hipófise.

A grelina é produzida no estômago e atua no hipotálamo, pituitária, fígado e trato gastrointestinal (KELESIDIS et al., 2009). No organismo humano a concentração de grelina plasmática é alta antes das refeições e em dietas para perda de peso corporal, mas cai de forma aguda após a alimentação. Dessa forma é possível perceber que a grelina atua no hipotálamo estimulando a ingesta alimentar. Em adição a esse efeito, atua também na redução do gasto metabólico contribuindo para o quadro de obesidade (MOTA, ZANESCO, 2007).

Os neuropeptídios Y e AGRP são liberados pelos neurônios estimulados pela grelina, que estão no núcleo arqueado do hipotálamo, estimulando o apetite (MOTA, ZANESCO, 2007).

Em conclusão é possível identificar que a alta concentração de leptina provoca diminuição da ingesta alimentar e promoção do gasto energético, enquanto a alta concentração de grelina estimula o consumo de alimentos. Os dois hormônios atuam principalmente no núcleo arqueado do hipotálamo com estímulos sobre neurônios sensíveis às substâncias.

REFERÊNCIAS
Despopoulos A; Silbernagl S. Color atlas of physiology. 5ª ed. Thieme: New York, 2003.

Kelesidis T; Kelesidis I; Mantzoros CS. Environmental inputs, intake of nutrients, and endogenous molecules contributing to the regulation of energy homeostasis. In: Mantzoros CS (org). Nutrition and metabolism: underlying mechanisms and clinical consequences. Humana Press: Boston, 2009.

Mota GR; Zanesco A. Leptina, ghrelina e exercício físico. Aquivo Brasileiro Endocrinol Metab, 51 (1), 2007, 25-33.

Nieuwenhuys R; Voogd J; Van Huijzen C. The human central nervous system. 4ª ed. Springer: New York, 2008.

Romero CED; Zanesco A. O papel dos hormônios leptina e grelina na gênese da obesidade. Revista de Nutrição, 19 (1), 2006, 86-91.

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Atividade física e saúde na escola

Posted by Brunno em 7 de Junho de 2009

* Resumo da oficina apresentada na Semana Acadêmica de Educação Física (UFMS) 2009.

Palestrante:

Brunno Elias Ferreira, Msd. (Departamento de Educação Física; Faculdade de Medicina-Saúde e Desenvolvimento na Região Centro-Oeste, UFMS).

A prática da atividade física tem sido orientada com vistas a minimizar os impactos do sedentarismo na condição funcional das pessoas. Dentre os dez maiores problemas destacados pela Organização Mundial da Saúde, cinco podem ser minimizados ou controlados pela prática de atividade física de forma rotineira: hipertensão arterial, colesterol elevado, sobrepeso e obesidade, sedentarismo e diabetes mellitus (WHO, 2009).

Normalmente a orientação para prática de atividade física parte de algum profissional da saúde que entra em contato com a população já doente ou em vias de desenvolver algum quadro metabólico ruim (NICOLAI et al., 2009), mas esse profissional não conta com os conhecimentos específicos da prática de atividade física. Essa orientação para a prática dificilmente será seguida ou será eficiente, como demonstrado por alguns estudos comportamentais (MAZZETTI et al., 2000; NICOLAI et al., 2009).

O trabalho com enfoque no desenvolvimento do indivíduo ativo e independente, com uso da informação sobre saúde e atividade física como ferramenta, pode evitar degeneração nas capacidades funcionais por causa de doenças não-transmissíveis e promover maior adesão aos programas de atividade física (FERREIRA et al., 2001). Seguindo essa linha, a escola se mostra o melhor ambiente para desenvolver essas características. A disciplina de Educação Física não tem tempo suficiente para promover condicionamento físico eficaz segundo diretrizes de órgãos como o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM, 2007; HASKELL et al., 2007), mas pode educar seus alunos com informações acerca da prática de atividade física e sua aplicação como exercício físico.

Qualidades físicas como força, resistência muscular, capacidade e potência aeróbia e flexibilidade estão intimamente relacionadas com um quadro positivo de saúde (FERREIRA et al., 2001; FERREIRA, 2008). A manutenção ou melhora dessas capacidades auxilia nas atividades da vida diária e a prática de atividade física habitual dentro do padrão moderado promove a sensação de bem-estar e o conceito de qualidade de vida (SHIBATA et al., 2007).

A proposta de Educação Física escolar voltada para a educação promovendo a prática da atividade física e manutenção ou melhora da saúde é auxiliar o aluno a escolher ativamente entre as várias opções que a vida moderna oferece, de forma a incrementar seus níveis de atividade física. Formando um indivíduo crítico quanto à atividade física e o exercício físico será possível convencer as pessoas próximas (familiares, amigos…) a praticarem a atividade física (PALMA et al., 2006) como forma de cuidar de sua saúde e melhorar sua qualidade de vida.

REFERENCIAL TEÓRICO

ACSM – AMERICAN COLLEGE OS SPORTS MEDICINE. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Ferreira BE. O conceito qualidade de vida inserido na atividade física: reflexão sobre concepções e evidências. EF Deportes, 13 (122), 2008.

Ferreira MS. Aptidão física e saúde na Educação Física escolar: ampliando o enfoque. Rev. Bras. Cienc. Esporte, 22 (2), 2001, 41-54.

Haskell WL; Lee I; Pate RR; et al. Update recommendation for adults from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Circulation, 116, 2007, 1081-93.

Mazzetti SA, Kraemer WJ; Volek JS; et al. The influence of direct supervision of resistance training on strength performance. Med. Sci. Sports Exerc., 32 (6), 2000, 1175-84.

Nicolai SPA; Kruidenier LM; Leffers P; et al. Supervised exercise versus non-supervised exercise for reducing weight in obese adults. J Sports Med Phys Fitness, 49, 2009, 85-90.

Palma A; Ferreira DC; Bagrichevsky M; et al. Dimensões epidemiológicas associativas entre indicadores socioeconômicos de vida e prática de exercícios físicos. Rev. Bras. Cienc. Esporte, 27 (3), 2006, 119-36.

Shibata A; Oka K; Nakamura Y; et al. Recommended level of physical activity and health-related quality of life among Japanese adults. Health and Quality of Life Outcomes, 5 (64), 2007.

WHO, The. The WHO Global InfoBase. Disponível no: http://apps.who.int/infobase/report.aspx. Acessado em 27 de maio de 2009.

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