Brunno Elias

Atividade física, bem-estar e um pouco mais (ou não…)

Archive for Julho, 2009

Leptina e grelina atuando na regulação da ingestão alimentar

Posted by Brunno em 31 de Julho de 2009

*Este texto foi apresentado como trabalho de avaliação na especialização Wellness: Saúde & Bem-estar.

Sendo um dos principais responsáveis pela homeostase corporal, o hipotálamo faz a ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas desse último sistema (NIEUWENHUYS et al., 2008). Entre as principais funções hipotalâmicas destacam-se:

– Manutenção do ritmo circadiano;

– Regulação do ciclo sono e desperto;

– Resposta ao estresse;

– Regulação da temperatura corporal;

– Fome e apetite;

– Sede;

– Comportamento sexual;

– Comportamento defensivo.

Na obra de Nieuwenhuys et al. (2008) é posto que o hipotálamo representa a maior parte ventral do diencéfalo (porção inferior do cérebro), no qual forma o piso e contribui para o desenvolvimento das paredes do terceiro ventrículo.
Das funções hipotalâmicas, o controle da fome é de grande valia devido à possível associação com o quadro da obesidade. É aceito que o hipotálamo tem importante papel na regulação da ingesta alimentar e no controle do peso corporal (NIEUWENHUYS et al., 2008), mas esse papel é influenciado pela presença da leptina, um hormônio derivado dos adipócitos que tem a concentração associada a massa de tecido adiposo.

A atuação da leptina sobre o cérebro pode ser resumida por meio da estimulação de alguns neuropeptídios. Os neurônios sensíveis à leptina formam duas populações: a primeira composta por neuropeptídios Y e AGRP; já a segunda por alfa-MSH. Esses três neuropeptídios participam da regulação da ingesta alimentar.

Despopoulos e Silbernagl (2003) afirmam que o hipotálamo é o centro responsável pelas respostas para manutenção do peso corporal. Entre as mensagens enviadas e recebidas estão:

– Tamanho dos depósitos de gordura: sendo a concentração de leptina o principal indicador dessa informação;

– Absorção de nutrientes e consumo de energia: por meio da concentração de leptina é feita a modulação dessas ações (reserva de gordura alta é demonstrada por alta concentração de leptina, que se responde com diminuição da ingesta e aumento do gasto energético; e vice-e-versa).

A ação da leptina sobre o hipotálamo é feita com a ligação do hormônio aos receptores de leptina (Ob-Rb). Essa ação é mediada principalmente por dois neurotransmissores já citados. O alfa-MSH é liberado pela estimulação provocada pela leptina e atua inibindo a absorção de nutrientes e aumentando o gasto energético. Já o neuropeptídio Y é inibido pela leptina, pois este provoca fome, aumentando a ingesta e diminuindo o gasto energético (DESPOPOULOS; SILBERNAGL, 2003; MOTA; ZANESCO, 2007). Despopoulos e Silbernagl (2003) ainda destacam que a deficiência de leptina provoca liberação exagerada do hormônio liberador gonadotrófico e pode chegar à obesidade infantil.

Sobre os efeitos da leptina no gasto energético, Kelesidis et al (2009) explicam que existe aumento das catecolaminas circulantes e maior termogênese nos tecidos, assim como estímulo à lipólise. Dessa forma a leptina impede a queda no gasto energético que normalmente acompanha a queda da ingesta alimentar. Em tecidos periféricos, a leptina também atua com aumento da captação de glicose, principalmente nos músculos e tecido adiposo marrom. Outras ações da leptina incluem regulação da função imunológica, hematopoiese, angiogênese e metabolismo ósseo.

Em resumo a leptina atua no núcleo arqueado no hipotálamo por meio da liberação de neuropeptídios relacionados ao apetite e à saciedade (anorexígenos), com sua alta concentração reduzindo a ingesta alimentar e sua baixa concentração resultando em hiperfagia (MOTA; ZANESCO, 2007).

Romero e Zanesco (2006) concordam que a leptina representa importante papel no controle do peso corporal, mas destacam a participação de outra substância, a grelina. Os autores informam que o primeiro hormônio reduz o apetite pela inibição do neuropeptídio Y e liberação do -MSH, apesar de sua concentração não ser totalmente controlada pela quantidade de massa de tecido adiposo, discordando de Nieuwenhuys et al. (2008). Já a grelina é um estimulador da liberação do hormônio do crescimento, com efeito no hipotálamo e nas células somatotróficas da hipófise.

A grelina é produzida no estômago e atua no hipotálamo, pituitária, fígado e trato gastrointestinal (KELESIDIS et al., 2009). No organismo humano a concentração de grelina plasmática é alta antes das refeições e em dietas para perda de peso corporal, mas cai de forma aguda após a alimentação. Dessa forma é possível perceber que a grelina atua no hipotálamo estimulando a ingesta alimentar. Em adição a esse efeito, atua também na redução do gasto metabólico contribuindo para o quadro de obesidade (MOTA, ZANESCO, 2007).

Os neuropeptídios Y e AGRP são liberados pelos neurônios estimulados pela grelina, que estão no núcleo arqueado do hipotálamo, estimulando o apetite (MOTA, ZANESCO, 2007).

Em conclusão é possível identificar que a alta concentração de leptina provoca diminuição da ingesta alimentar e promoção do gasto energético, enquanto a alta concentração de grelina estimula o consumo de alimentos. Os dois hormônios atuam principalmente no núcleo arqueado do hipotálamo com estímulos sobre neurônios sensíveis às substâncias.

REFERÊNCIAS
Despopoulos A; Silbernagl S. Color atlas of physiology. 5ª ed. Thieme: New York, 2003.

Kelesidis T; Kelesidis I; Mantzoros CS. Environmental inputs, intake of nutrients, and endogenous molecules contributing to the regulation of energy homeostasis. In: Mantzoros CS (org). Nutrition and metabolism: underlying mechanisms and clinical consequences. Humana Press: Boston, 2009.

Mota GR; Zanesco A. Leptina, ghrelina e exercício físico. Aquivo Brasileiro Endocrinol Metab, 51 (1), 2007, 25-33.

Nieuwenhuys R; Voogd J; Van Huijzen C. The human central nervous system. 4ª ed. Springer: New York, 2008.

Romero CED; Zanesco A. O papel dos hormônios leptina e grelina na gênese da obesidade. Revista de Nutrição, 19 (1), 2006, 86-91.

Posted in Ciência, Saúde | Leave a Comment »

Musculação e oclusão vascular: aplicabilidade

Posted by Brunno em 22 de Julho de 2009

A oclusão vascular combinada com exercícios de força tem sido discutida no meio científico já há algum tempo, com evidências de alterações importantes desde 1974. A oclusão consiste em aplicar pressão controlada em uma região, com uso de equipamentos que permitam o controle da pressão exercida (como o esfigmomanômetro e manguito para aferição da pressão arterial).

A aplicação da pressão em algum segmento (coxa, braço…), associada à execução de exercício de resistência, tem influenciado a concentração de hormônio do crescimento, ocorrendo maior liberação endócrina após a aplicação da técnica. Agora vem a questão: vou executar meus exercícios de força associados a aplicação de oclusão vascular? Durante os cursos e discussões sobre o tema que ministramos no campo da prescrição do exercício físico, essa questão sempre aparece.

Por meio de consulta a alguns ensaios científicos é possível identificar o sucesso do sistema, com resultados na hipertrofia. O problema está na generalização dessas informações. Vamos analisar dois trabalhos experimentais para discutir a aplicação da técnica. Não é o objetivo fechar a discussão, apenas mostrar outra forma de analisar as informações em trabalhos respeitados.

Em 2000, Takarada e colaboradores publicaram um ensaio experimental feito em pacientes que passaram por reconstrução do ligamento cruzado anterior (lesão de joelho comum em atletas ou esportistas recreacionais). O grupo tratado recebia duas sessões diárias, do 3º ao 14º dia depois da operação, de oclusão vascular (pressão média de 238 mmHg) por cinco minutos com intervalo de três, compondo cinco repetições por sessão. O grupo controle não recebeu nenhum tratamento pelo mesmo período de análise após a cirurgia. Com uso de ressonância magnética percebeu-se que o grupo controle perdeu mais área de secção transversa dos músculos da coxa que o grupo que recebia a oclusão (extensores: 20,7% X 9,4%, flexores: 11,3% X 9,2%, respectivamente). O uso da oclusão no método acima diminui a perda de massa muscular após esse tipo de cirurgia.

Esse trabalho destaca bem a aplicação da oclusão vascular: em pessoas debilitadas, em estados de incapacidade para suportar cargas. São situações nas quais a atividade física está limitada e o uso da oclusão pode facilitar o processo de melhora da qualidade de vida por qualquer limitação física que resulte em diminuição da massa muscular.

lady_exerciseOutro estudo, agora em 2009, aplicou protocolo de treinamento físico em senhoras, por 16 semanas. Foi executado o movimento de flexão de cotovelos em três séries com repetições máximas. O grupo que recebeu a oclusão (110 mmHg) executou a flexão entre 30-50% da Uma Repetição Máxima, enquanto outro grupo executou a mesma intensidade sem oclusão e um terceiro grupo executou o exercício com carga de 80% da 1RM. Ao final do experimento houve aumento da área de secção transversa dos flexores de cotovelos, com o grupo que recebia a oclusão vascular alcançando maior hipertrofia que o grupo sem oclusão, mas estatisticamente igual ao grupo com a carga mais elevada. O trabalho termina com a seguinte conclusão: “a combinação de baixa intensidade de exercício e oclusão vascular moderada é um meio potencial para acelerar a recuperação de massa e força muscular de pessoas idosas”.

É importante lembrar que oclusão vascular de baixa intensidade (50 a 100 mmHg) associada a baixa intensidade do treino de força (até 20% da 1RM) já promovem hipertrofia em três semanas. A técnica tem valor para condições especiais.

Posted in "Des"categorizado | 1 Comment »

Fim do curso de Personal Training 2009

Posted by Brunno em 3 de Julho de 2009

O curso termina nesse sábado.

Foram empregadas 70 horas, distribuídas em aulas expositivas e práticas, além de atividades à distância. Os módulos cobriram os seguintes temas:

Avaliação física;

Prescrição de exercícios resistidos (e testes);

Prescrição de exercícios aeróbios (e testes);

Exercícios para controle do peso corporal e ganho de massa magra;

Exercício físico e sistema imune;

Atividade física para diabéticos;

Lesões na atividade física.

50 pessoas, entre acadêmicos e profissionais, acompanharam as aulas dos professores Brunno Elias e Paulo Braga. Aguardem novidades ainda para 2009 com um curso para o segundo semestre.

Vejam algumas fotos aqui.

Posted in "Des"categorizado | Leave a Comment »