Brunno Elias

Atividade física, bem-estar e um pouco mais (ou não…)

Exercício físico e complicações metabólicas

Posted by Brunno em 24 de Março de 2008

Esse texto foi o tema de uma palestra na Feira do Bem-estar de 2007, no Horto Florestal de Campo Grande. 

Exercício físico e complicações metabólicas

As complicações metabólicas podem ser entendidas como patologias (doenças) que afetam o metabolismo do organismo do homem. Ele é um sistema que sempre busca estar em estado de equilíbrio, com todos os componentes funcionando em perfeita harmonia. Nosso corpo é altamente adaptável e sempre busca esse estado em todas as situações, seja durante um exercício vigoroso, enfrentando um tempo muito seco ou mesmo em repouso. Já quando uma patologia se instala, a busca pelo equilíbrio fica prejudicada, ainda mais quando se trata de uma complicação metabólica.

As mais conhecidas são hipertensão arterial, diabetes e obesidade. Vamos falar um pouco mais de cada uma, já que são informações importantes e que precisão ser divulgadas para melhorar a vida de muita gente que convive com uma dessas doenças.

A hipertensão arterial sistêmica, ou simplesmente hipertensão, é quando se instala um quadro de pressão arterial acima do popular 12 por 8, que é o normal. A hipertensão fica em volta de 14 a 16 por 9 a 9,5. Esses números, divididos em dois valores, representam a pressão exercida pelo coração no momento da contração e a pressão nos vasos sangüíneos entre as contrações, respectivamente. A pressão alta, quando instalada, pode levar a complicações cardíacas, lesões nas artérias pela pressão excessiva e alguns outros problemas.

O quadro de hipertensão somente pode ser diagnosticado por um médico, que tem o conhecimento clínico para tanto. E é ele também que vai liberar o portador para a prática de exercícios físicos, que tem benefícios reconhecidos há um bom tempo. Pesquisas mostram a diminuição da pressão arterial após cada sessão de exercícios, efeito conhecido com hipotensão pós-exercício, e esse efeito pode ser mantido por um longo período, levando ao controle da hipertensão. Mas para gozar desses benefícios é importante realizar o exercício em uma intensidade ideal, e somente o Educador Físico está habilitado para prescrever e controlar os treinos.

Já o diabetes, ou diabetes mellitus, é uma doença com origem endócrina, ou seja, problemas no sistema hormonal. Essa patologia é caracterizada pela concentração excessiva de glicose na corrente sangüínea. Isso acontece por várias maneiras, mas duas se destacam: problemas com o pâncreas, responsável pela secreção da insulina, que é o hormônio promotor da captação de glicose pelas células; e resistência dos tecidos a insulina, quando o organismo enfrentou por muito tempo a concentração excessiva de glicose e de insulina e não mais se estimula normalmente.

As complicações diretas dos diabetes são a hiperglicemia, quando a concentração de glicose extrapola o normal, que é 109 mg/dl (miligramas por decilitro de sangue), levando a danos nos vasos sangüíneos, aos tecidos dos olhos e rins e maiores problemas cardíacos;  e hipoglicemia, que é o extremo inverso, quando a glicose se encontra em 50-60 mg/dl, levando a problemas imediatos, como tontura, fraqueza, desmaios ou mesmo coma. O exercício atua na manutenção de níveis normais de glicose, efeito alcançado imediatamente após uma sessão e que pode ser mantido por algum tempo. O diabético precisa realizar exercícios com cuidados especiais, e de preferência todos os dias, para um efetivo controle.

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Ela é um dos combustíveis que usamos para gerar energia, mas em excesso ela é prejudicial. Alguns controles simples, como o Índice de Massa Corporal, percentual de gordura e relação cintura-quadril, nos permitem caracterizar um obeso. A obesidade pode ter fonte hormonal, mas muitas vezes está associada a baixos níveis de exercício físico e ingesta alimentar excessiva e inadequada. A gordura acumulada aumenta os níveis de colesterol ruim circulante, o que pode lesionar os vasos sangüíneos. Ela também pode desencadear outras patologias, como as já apresentadas hipetensão e diabetes.

Os obesos também têm dificuldade de movimentos e muitas vezes uma auto-estima prejudicada. O exercício atua com uma maior mobilização de gordura como fonte energética, levando a redução de peso corporal. Ele deve ser feito em intensidades leves ou moderadas, trazendo efeitos relevantes. Mas é importante que o Educador Físico trabalhe em conjunto com um nutricionista para um efetivo controle de peso corporal, através de uma dieta correta e um balanço energético ideal com o acréscimo do exercício físico na vida do obeso.

O exercício é importante no tratamento das patologias aqui apresentadas, mas muitas outras também se apóiam no exercício para um melhor controle das complicações. O importante é não ficar parado e também contagiar aqueles ao seu lado para ingressarem em uma prática que gostem, cuidando assim da saúde e mantendo a qualidade de vida lá no alto.

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