Brunno Elias

Atividade física, bem-estar e um pouco mais (ou não…)

A importância da ciência no treinamento esportivo

Posted by Brunno em 24 de Março de 2008

Esse foi um texto publicado em três sites (Esporte Notícia, Gilmar Bicicletas e FMSC) e um jornal mensal (Esporte Notícia). Aqui ele segue atualizado!

A importância da ciência no treinamento esportivo
 
Para se tratar de treinamento ao lado da ciência, é importante explicar a necessidade dela. Tudo que é feito na prática é melhor assimilado quando comparado ao simples ouvir ou ver. O perigo de ir para a prática sem o devido embasamento teórico sobre os pontos que compõem o tema (o que deve ser feito através de leituras de estudos), é ter a experiência própria ou de outra pessoa como lei universal.

Cada ser humano é único, logo existe a possibilidade de encontrar resultados diferentes quando algo é aplicado a várias pessoas. Para ilustrar esse pensamento, imaginemos a seguinte situação: dois atletas treinam juntos há dois meses, pedalam a mesma quilometragem, no mesmo tempo, logo os dois devem terminar os treinos com o mesmo nível de cansaço. Certo? Não, cada um responderá aos estímulos do treino de uma maneira, já que o conjunto de fatores é individual, apesar da fisiologia funcionar da mesma maneira.

Os estudos sobre exercício, que embasam os treinamentos, oferecem situações controladas onde os resultados podem ser extrapolados para todos os atletas (na maioria das vezes). Isso é possível já que muitas variáveis foram analisadas e controladas, evitando provável influência. Por exemplo um estudo sobre desidratação em ciclistas: em laboratório é possível controlar a temperatura ambiente, a intensidade da pedalada e o tempo de exercício.

Já em uma competição não se pode controlar a temperatura (podemos saber quantos graus fazem), não se pode controlar a intensidade (podem acontecer fugas ou o vento afetar consideravelmente o andamento da competição). Logo, nos dois casos, a desidratação seria diferente, não exclusivamente porque os atletas são diferentes, mas sim porque vários eventos influenciaram os resultados, levando a maior ou menor perda de líquidos.

Por outro lado, alguns estudos tratam exclusivamente dos efeitos de treinamento sobre algum atleta específico, são os chamados estudos de caso. Para ilustrar posso citar um trabalho de minha autoria sobre corridas de longa distância, onde propus um tipo de treinamento para um atleta que competia em corridas de rua com 10 quilômetros. No trabalho analisamos a melhoria no tempo do quilômetro, que aconteceu devido à melhoria na técnica da corrida e no aumento do volume máximo de oxigênio, e a diminuição do percentual de gordura, refletindo a melhor utilização dela como fonte de energia. Os estudos de caso são limitados, onde somente é possível concluir que para aquele atleta a fórmula funcionou. É possível que em outros também funcione, mas não é garantido.

Para ganhos efetivos com o mínimo de efeitos colaterais, o treinamento deve ser pautado em informações confiáveis oferecidas pela ciência, e deve ser usado em conjunto com o conhecimento que a prática traz. Muitos atletas ou pessoas que tentam montar um treinamento não usam os termos adequados ou entendem os efeitos dos treinos que indicam, mas fazem muitas coisas certas. Caso essas tentativas fossem pautadas em resultados confiáveis, os atletas teriam maiores ganhos e menores chances de problemas acontecerem.

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